A Revolução das Borboletas

borboletaA vida seguia calma naquele recanto de floresta. Muitos animais viviam tranquilamente, sem grandes problemas, pois tinham as bênçãos e as benesses daqueles que regiam os destinos de quem morava naquele pedaço de terra arborizada, florida e abençoada pelos deuses. Imperava no local a lei dos fortes, dos animais de grande porte, dos donos da razão e do poder. Eles eram os detentores da última palavra. Reuniam-se em pequenos grupos e tomavam as decisões, na maioria das vezes à revelia dos representantes dos bichinhos de tamanho inferior. Naquela oligarquia não havia espaço para bichos de fora. As ocupações de destaque no reino eram oferecidas a amigos do rei (leão) sem qualificação para a função sem levar em conta a tal de meritocracia. A Girafa, a Onça, o Leão, o Elefante e outros bichos de grande porte até fizeram um bom governo nos pouco mais de cinco lustros que tiveram no comando da floresta. Mas tinha uma grande parcela da bicharada menor que clamava por mais frutos nas árvores, mais água nos rios, mais peixes, entre outras coisas que julgavam necessárias para uma vida plena no mato. Reiteradas vezes, as borboletas engenhosas, criativas, belas e destemidas, tentaram, sem sucesso, abiscoitar o trono mor da floresta. As três ou quatro tentativas foram consideradas “batalhas inglórias”, pois o grupo de animais maiores estava organizado, tinha em suas mãos outras pequenas tribos que davam apoio irrestrito às suas ações. No final do inverno de determinado ano, o time das borboletas decidiu que o momento de tomar o poder dos grandes bichos, era aquele. Em pouco tempo uma nuvem de borboletas se espalhava nos quatro cantos da floresta. Cada qual com a sua mensagem que era deixada nos grandes canteiros de girassóis, margaridas, lírios, trepadeiras e outras flores de menor destaque. Começava naquele momento a cair o império dos grandes bichos, que já durava uma década e meia. Uma revolução era anunciada pela borboleta aclamada como comandante dos quatro anos entrantes. Apregoava ela que sua administração seria séria, responsável e que atenderia também os seguidores dos grandes bichos. Transparência era a sua palavra de ordem, sua oração. Naquele começo de primavera começava na floresta a “Revolução das Borboletas”. Daqui quatro anos a atuação das borboletas será avaliada outra vez pelos habitues da floresta.

Benedito Blanco