Abandono de animais é problema de todos

 

A Coordenadoria de Saúde Animal, ligada à Diretoria de Saúde da Prefeitura de Lençóis Paulista, enfrenta hoje um grande problema em relação, especialmente, a cães e gatos, que é a falta de conscientização dos donos para a necessidade de castração, o abandono de filhotes e a prática da posse responsável.

O canil municipal oferece a castração de cães e gatos machos, sem custo para donos e responsáveis, o que possibilita um grande avanço no controle da população destes animais na cidade. Porém, o veterinário Ighor Godoy Morales, que é responsável pelo atendimento no canil junto à veterinária Keila Regina Gomes, relata que, mesmo assim as pessoas não procuram pelo procedimento para os animais antes de evitar a procriação, gerando um problema posterior que são os filhotes indesejados. Após o nascimento, é comum os filhotes serem abandonados pela cidade, ou no próprio canil, onde ninhadas são deixadas quase diariamente.

“Se a pessoa compra ou adquire um animal, independente de qualquer coisa, ela tem que considerar antes que será responsável por ele durante vários anos, considerar que vai crescer e se não for castrado procriará, então passará a ser responsável também pelos filhotes. Por isso, a aquisição não pode ser por impulso”, afirma. O médico alerta que é necessário avaliar diversos pontos antes de se adquirir um animal, coisas como horários de trabalho, viagens, gastos eventuais com atendimento médico e remédios, entre outros. “O animal não pode ser algo descartável”, afirma.

O abandono de animais está previsto na Lei Federal 9.605/1998 como maus tratos, incluindo a previsão de prisão em alguns casos. Em seu Artigo 32, “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos”, a pena prevista é de três meses a um ano de detenção e multa. Em seu parágrafo 1º a lei define ainda “Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos”, aumentando de um sexto a um terço a pena, se ocorrer a morte do animal. Porém, o atual canil possui uma limitação de espaço e de estrutura, por isso, foram definidos critérios para o resgate de animais, que são priorizar o recolhimento de cães e gatos errantes machucados, cadelas e gatas prenhes e cães errantes agressivos (comprovado).

O abandono de filhotes no canil gera ainda o problema da superlotação, o que é prejudicial para todos os animais abrigados no local. “Temos um limite de atendimento que tem que ser respeitado para que os animais se mantenham saudáveis”, comentou Ighor.

O foco do atendimento no canil são os animais de rua, porém as pessoas podem agendar a castração de animais machos, que são feitas no local por serem procedimentos mais simples. Mas, mesmo sem custo, muitos donos agendam o procedimento e não comparecem no dia marcado, demonstrando a falta de responsabilidade pelo animal. “O que é uma pena, pois o atendimento é muito eficiente para contribuir no controle da população animal e totalmente gratuito”, comentou o veterinário.

No caso de gatos, o problema é ainda maior, de acordo com a coordenadora Milena Mileski. “Eles são mais independentes, mais difíceis de serem capturados para serem castrados. Quem tem, por exemplo, um gato macho deveria se preocupar em castrar, o que dificilmente ocorre”, lamentou Milena. “As pessoas precisam entender que o animal está na rua porque seu dono o abandonou, seja após o nascimento ou depois de velho. O dono é o responsável pelo que aconteça com o animal em todos os momentos da vida dele e é preciso que as pessoas tenham esta consciência”, concluiu Milena.

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