Antonio Lourenço Blanco

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Antonio Lourenço Blanco nasceu no bairro Barra Grande em 1900 e faleceu em março de 1961.  Casou-se com Eliza Borin Blanco e teve os filhos: Antonio Lourenço Blanco, José Lourenço Blanco, Maria Dolores Blanco, Arcângelo Lourenço Blanco, Orlando Lourenço Blanco, Alcides Lourenço Blanco, Arlindo Lourenço Blanco e Élio Lourenço Blanco. Nos seus 61 anos de vida, Antonio conseguiu dar uma estrutura invejável para a família. Comerciante nato, na década de 1950 montou uma “venda” no principal acesso à fazenda Barra Grande e lá ele vendia arroz, feijão, café, carne-seca, batatas, cebolas, sardinhas, queijos, doces, bebidas, sorvetes e uma gama de produtos de primeira necessidade. O Bar do Seu Antonio se transformou em ponto de encontro obrigatório dos moradores da região. Quem da cidade chegava, obrigatoriamente tinha de passar defronte ao estabelecimento e a mesma coisa acontecia para quem vinha da fazenda Barra Grande com destino à cidade. As crianças se esbaldavam com os deliciosos sorvetes feitos ali mesmo pelo próprio Seo Antonio Blanco. Os sabores eram diversos: Groselha, milho verde, goiaba, leite, morango, chocolate, leite condensado e outros tantos. Alguns, o simpático velhinho cobrava, mas a maioria era distribuída de graça para a molecada. Os adultos preferiam parar no boteco para tomar uma tubaína, ou uma malzbier, Brahma, antártica, caracu, ou uma bela dose de pinga com cinzano, o famoso “rabo de galo”. Católico fervoroso, sempre que podia vinha às procissões e missas celebradas pelo seu amigo Padre Salústio Rodrigues Machado, que durante muitos anos foi pároco da Matriz de Nossa senhora da Piedade, em Lençóis Paulista. Mas, a data religiosa que ele  mais gostava  era o dia 15 de agosto quando o bairro de Aparecida de São Manoel promovia – até hoje – uma grande festa em louvor a Nossa Senhora Aparecida. Nesse dia o Seo Antonio reunia a família logo cedo e de caminhão seguia para a festa de Aparecidinha. Outra grande alegria para o Seo Antonio era reunir os seus familiares para as festas de natal e ano novo. Porcos, cabritos, perus, frangos eram abatidos para a ceia. As mulheres se reuniam dias antes e faziam pães, doces de abóboras, mamão, laranja e uma infinidade de guloseimas que além de serem servidas na ceia aos filhos, netos e noras, ainda eram distribuídos às crianças que moravam nas redondezas. Amante da natureza e das lides da roça Seo Antonio adquiriu diversas glebas de terras, sendo três na região da Usina Barra Grande e uma às margens do Rio Claro. Um fato curioso aconteceu lá pelos anos 50 no sítio Rio Claro. Nessa época, aquela parte do município de Lençóis ainda era tomada por mato e campo. Na sede do sítio do Seo Antonio tinha um casarão de madeira, já desabitado. As carrancudas e grandes portas e janelas ficam entreabertas e com soprar dos ventos batiam alternadamente dando um ar  fantasmagórico. Seo Antonio que não temia a nada  e  a ninguém, cismou de dar um tiro num daqueles “fantasmas”. Sacou o seu Smith & Wesson apoiou a mão direita no galho de uma grande paineira que havia (ainda existe essa paineira) na frente do casarão, segurou com a mão esquerda o pulso da mão direita, como se estivesse fazendo uma pose para filme  faroeste e ‘pimba, pregou fogo’ na janela da casa. Curiosos para ver o resultado do disparo, os moleques  que acompanhavam o velho (o autor deste texto também estava presente) desceram correndo o barranco gramado e ornamentado com um bonito jardinzinho de roseiras e verificaram que não só na janela, mas em nenhuma parte da grande casa  havia marca  de bala. Seo Antonio batia o pé e justificava que o seu revólver era muito bom e que sua pontaria era  melhor ainda e que o fato de a bala não ter atingido a janela (e nem a casa) era pura obra dos fantasmas.  Noutra ocasião, no córrego Barra Grande, ele disparou contra uma pequena cobra preta que flutuava no poço onde ele costumava pescar e com apenas um tiro arrancou a cabeça do bicho. Ele se vangloriava desse feito. Seo Antonio era um homem alegre, festeiro, honesto e bem humorado. No decorrer de sua vida, fez muitos amigos não só na zona rural, mas  na cidade também.  Mas, não era só festa e alegria a vida de Seo Antonio. Nos anos 40, num sábado, seu filho Orlando com menos de dez anos  de idade morreu de meningite e no outro sábado, ou seja, uma semana depois, outro filho seu, Arcângelo de 15 anos, morreu afogado no córrego Barra Grande, nos fundos da casa onde a família morava.  Já se foram 50 anos desde que ele morreu e seu nome ainda é lembrado por antigos moradores de Lençóis Paulista. Seu corpo está enterrado no cemitério o local no mesmo jazigo em que  foi sepultada, uma década depois, sua esposa Eliza Borin Blanco.