Confraria da Dança realiza Projeto “Circulação Mirabolante” pelo interior do Estado

Em 2018 a Confraria da Dança comemora vinte e dois anos de atividades relacionadas à pesquisa de linguagem própria, criação e produção artística com o projeto “Circulação Mirabolante”. A circulação abrange oito cidades do interior do Estado de São Paulo: Cerquilho, Marília,  Pindamonhangaba, Ubatuba, Lençóis Paulista, Votuporanga, Espírito Santo do Pinhal e Botucatu, cumprindo dezesseis sessões do espetáculo MIRABOLANTE entre abril e julho/2018.

O espetáculo é um híbrido: é dança, mas também é teatro, tem texto, mas tem movimentos, coreografia. O Carnaval é o mote inicial de MIRABOLANTE, que além de ter direção artística do emblemático João das Neves, conta com a exclusiva trilha musical de Rafael dos Santos, composta por marchas-rancho, marchinhas e frevos, carregada da sonoridade múltipla e contagiante da cultura popular brasileira.

Sinopse Mirabolante

Misture dois bailarinos e um bom bocado de música e fantasia. O resultado é uma mirabolante brincadeira de Carnaval. O espetáculo passeia pelo mistério dos mascarados e as brincadeiras de assustar, recria o clima de nostalgia das matinês, pulsa na dança rebuscada dos passistas. Os bailarinos tocam, cantam e dançam embalados por frevos, marchas, marchinhas e jogos de palavras. Eles brincam pra valer, disputam no bate-bola, dão vida a esqueletinhos e bonecões, criam até uma tourada maluca. Nesta brincadeira tudo é permitido, quanto mais extravagante e imaginoso melhor para alegrar o Carnaval Mirabolante.

Ficha Técnica

direção artística: João das Neves

criação e interpretação: Diane Ichimaru e Marcelo Rodrigues

texto e letras das músicas: Diane Ichimaru

trilha musical: Rafael dos Santos

plano de iluminação: Marcelo Rodrigues

cenografia e figurinos: Diane Ichimaru

produção: Confraria da Dança

duração do espetáculo: aprox. 45 minutos

faixa etária: livre para todos os públicos

teaser: https://youtu.be/paUH7gjiYd0

Uma ideia mirabolante

As deliciosas lembranças de nossos Carnavais de infância nos inspiraram a montar este espetáculo. Para começar a criação fomos desencavar histórias da festa que invade todo ano o país e traduz a alegria e o colorido de nossa gente. Ficamos sabendo que a brincadeira carnavalesca no Brasil foi trazida pelos portugueses ainda no período da colonização e tinha o nome de Entrudo. Nesta época as pessoas faziam uma bagunça nas ruas atirando farinha, água e lama uns nos outros. No final do século XIX a brincadeira ficou mais limpinha e organizada com os primeiros Bailes de Máscaras nos salões e com o surgimento dos Cordões, Blocos, Ranchos e as Grandes Sociedades, onde grupos de foliões fantasiados saíam às ruas em cortejo dançando e cantando. O frevo surgiu neste mesmo período, resultado de uma mistura da marcha com o maxixe e elementos da capoeira. No início do século XX surgiram os Corsos de Carnaval, onde as famílias saíam com seus carros enfeitados de flores para desfilar e fazer batalhas de confetes pelas ruas. Nesta mesma época foram formadas as primeiras Escolas de Samba. O Trio Elétrico foi uma invenção mais recente; no Carnaval de 1950 a dupla de músicos Dodô e Osmar resolveu sair com um velho Fordinho animando os brincantes das ruas tocando instrumentos criados por eles, as guitarras baianas. Encontramos também muitas figuras pitorescas que encantam a brincadeira, como os Zé Pereiras, os Clóvis, os Ursos e Bois, os Bonecos Gigantes. Percebemos que o Carnaval é uma festa em constante transformação que nunca deixa de lado o espaço pra brincadeira, pro improviso, pra fantasiar extravagâncias. Fomos contagiados por todas estas mirabolâncias carnavalescas e então MIRABOLANTE nasceu. (Diane Ichimaru  e Marcelo Rodrigues Confraria) da Dança.

Direção Mirabolante

Mas vejam só o convite que a Diane e o Marcelo inventaram de fazer para as crianças: Vamos lá mirabolar? Claro que todo mundo veio. Meninas e meninos foram os primeiros. Porque eles sabem muito bem e melhor do que ninguém que mirabolar só não é melhor que calda de chocolate em cima de uma bola mirabolante de sorvete. Depois vieram os pais, porque pai e mãe já foram filhos e andam tão saudosos dessa época que ao ouvirem o verbo mirabolar, mirabolaram pra valer e desandaram a cantar.

E toca a puxar do baú das recordações mirabolantes marchinhas e alucinantes frevos, espantosas figuras, surpreendentes máscaras, pomposas e ridículas fantasias. E não é que a criançada cantava e dançava junto?  Onde aprenderam? Ora, onde! Mirabolando! E se pintavam e fantasiavam e fingiam se assustar com os Clóvis, Homens da Meia-Noite, “ai que medo gostoso. Mamãe, papai, eu quero mais”.  Eu também quero. Mamãe eu quero mamar, brincar esta dança mirabolante dos eternos Carnavais alegria com a turma da Confraria. (João das Neves Diretor do Espetáculo)

A Confraria da Dança

Diane Ichimaru e Marcelo Rodrigues fundaram a CONFRARIA DA DANÇA em 1996 na cidade de Campinas/SP. Seus projetos direcionados à pesquisa de linguagem, criação e manutenção de espetáculos autorais acumulam premiações da FUNARTE/Ministério da Cultura, Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, Cultura Inglesa, APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte, SESI SP, entre outros. A dupla promove parcerias com artistas das áreas da dança, teatro, música e artes plásticas, atividades diversificadas de formação e fruição artística que atingem público infantil, adulto e terceira idade, estudantes de arte em processo de formação e artistas profissionais em busca de aperfeiçoamento.

João das Neves é dramaturgo, diretor, ator e escritor, contemplado com prêmios como o Molière, Bienal Internacional de São Paulo, APCA, Golfinho de Ouro e Quadrienal de Praga. Mantém-se em atividade teatral de forma permanente e inovadora, desde os tempos dos Centros Populares de Cultura e do Teatro Opinião, do qual foi um dos fundadores ao lado de Ferreira Gullar, Vianinha e outros nomes fundamentais do teatro brasileiro. Sua primeira peça a arrebatar o teatro latino-americano foi “O Último Carro”. João também dirigiu Milton Nascimento, Chico Buarque, MPB4, Taiguara e recentemente Elomar e Titane. Óperas contemporâneas como “Qorpo Santo”, de Jorge Antunes ou cantatas, como “Continente Zero Hora”, de Rufo Herrera. Dirigiu várias obras com temática afro brasileira como “A Santinha e os Congadeiros”, “Besouro, Cordão de Ouro” e “Galanga Chico Rei”, “Zumbi” (de Augusto Boal e Guarniere com música de Edu Lobo); “A Farsa da Boa Preguiça” (de Ariano Suassuna).

Mais recentemente, dirigiu “Mirabolante” da Confraria da Dança e “Madame Satã” com Rodrigo Jerônimo. Com 84 anos de idade e mais de 60 de teatro, João das Neves dirige e atua na peça “Lazarillo de Tormes”, que o artista escreveu inspirado na descoberta do que pode ser o texto original da obra criada na Espanha no século XVI. E alimenta o projeto de encenação de seu texto inédito “YURAIÁ – o rio do nosso corpo”, nascido de sua convivência com os índios Kaxinawá do Rio Jordão/Acre.

Rafael dos Santos é Doutor pela Universidade de Iowa (EUA), professor de Piano erudito e popular, Improvisação, Arranjo, Música de Câmara e História do Jazz no Depto de Música do Instituto de Artes da UNICAMP desde 1981, tendo sido responsável pela implantação do curso de música popular. Coordena grupo de pesquisa voltado para a Música Popular no programa de Pós-Graduação do mesmo instituto. Exerce atividade como compositor, recitalista, camerista, concertista e músico popular. Como arranjador, tem trabalhos escritos para os repertórios das Orquestras Sinfônicas de Campinas, de Bragança Paulista, de Americana, Orquestra Sinfônica da Unicamp, Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo, Oficina de Cordas de Campinas, Orquestra Eleazar de Carvalho (Fortaleza/CE), Banda Pequi (Goiânia/GO), Amazonas Band (Manaus/AM). Tocou com Paulo Moura, Nivaldo Ornelas, Roberto Sion; foi lider e fundador do Grupo Mojave. Tocou na BigBand “Johnson County Landmark” da Universidade de Iowa/EUA. Desenvolveu projetos com Tibô Delor, Consiglia Latorre, Marcia Tauil, Toninho Ferraguti, Maurita Mead, Grupo Quatro a Zero, Cristóvão Bastos, Proveta, Toninho Carrasqueira, Ulisses Rocha, Guinga, Roberto Menescal. É líder e arranjador do grupo “Café Forte”. Assina arranjo, execução ao piano e composição para espetáculos produzidos pela Confraria da Dança, numa parceria de mais de dez anos, que já resultaram trilhas para “Brinquedos e Inventos para Dançar”, “Adverso”, “Mirabolante” e “Sem Fim”.

Histórico do espetáculo

A criação e montagem de Mirabolante foi viabilizada pelo SESI SP, através do Projeto Viagem Teatral 2013 – Espetáculos Inéditos. O espetáculo estreou em 2013 no teatro do SESI Piracicaba e circulou pelos teatros do SESI SP interior e capital entre julho e dezembro/2013.

Ao término da temporada de estreia, o grupo deu continuidade às apresentações, participando do “IV Forinho” – evento promovido pelo Instituto ITAÚ CULTURAL em seu teatro na Avenida Paulista em São Paulo/Capital em fevereiro de 2014.

Recebeu o convite da APAA – Associação Paulista dos Amigos da Arte para participar do Circuito Cultural Paulista 2014. Ainda em 2014, foi apresentado no Teatro Brasil Kirim em Campinas e no SESC Ribeirão Preto.

Em 2015 o espetáculo percorreu o SESC São José dos Campos, o SESC São Carlos, integrou a mostra no evento promovido pelo Itaú Cultural “Ocupação João das Neves”, além de ser apresentado em Belo Horizonte / Espaço ZAP 18 a convite da Associação Campo das Vertentes.

Em 2016 o espetáculo foi apresentado durante a programação especial do Carnaval no SESC Campo Limpo/São Paulo, acompanhado de Cortejo Mirabolante. Fez também breve temporada na Sala de espetáculos do SESC Belenzinho durante o mês de abril/16.

Em 2018 a Confraria da Dança realiza circulação por 08 cidades do interior e litoral paulista através do projeto “Circulação Mirabolante”, contemplado pelo Programa de Ação Cultural da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo.