Crimes que abalaram uma cidade

Antigamente era absolutamente normal pessoas guardarem suas economias na própria casa. No período da segunda grande guerra mundial (1939/45) esse hábito se tornou mais frequente, pois havia preocupação que algo fora do normal acontece com os bancos e a família ficasse desprevenida. Habitava uma pequena cidade do interior um casal de idosos que também guardava suas economias no paiol, entre  sacas de cereais. O ano de 1943 corria naturalmente, tranquilo, apesar das notícias vindas da Europa serem as mais estarrecedoras, pois a guerra ceifava vidas inocentes a cada segundo. Numa noite, o casal de anciões foi surpreendido por dois assaltantes que certamente sabiam  da existência dos valores guardados. Para não serem reconhecidos no futuro, os criminosos decidiram acabar com a vida do casal e com um machado “fizeram o serviço”. O crime bárbaro  repercutiu  e consternou os moradores da cidade que à época era pequena e todos se conheciam. No enterro das vítimas o padre responsável pela paróquia do local confidenciou a amigos que sua experiência indicava que pelo menos um dos assassinos estava por perto. Segundo dizia o padre, quando  gotejasse sangue do caixão era sinal que o criminoso estava presente.

Desencadeou-se, então, grande movimentação para se descobrir quem teria cometido tamanha atrocidade. Policiais da cidade e até de outros estados se empenharam na busca pelos assassinos. Um experiente policial, após minuciosa investigação, descobriu a identidade dos dois criminosos e numa boate de famosa cidade brasileira chegou a um deles dizendo: “O senhor está preso, a casa caiu. Seu colega já abriu o bico, entregou o senhor e ele já foi detido”. Na verdade, essa foi apenas uma estratégia do traquejado policial, pois ainda não tinha de fato prendido ninguém. Com a revolta do acusado, que acabou esbravejando, xingando o colega, chamando-o de traidor, foi fácil chegar na cidade de origem e prender o outro criminoso. Um dos acusados era membro da família das vitimas e o outro era “filho adotivo”.

Dezesseis facadas

Tarde ensolarada de um longínquo domingo de 1963, dois times se enfrentavam no principal campo de futebol da cidade. Pessoas chegavam ao estádio esbaforidas, assustadas, dizendo que um crime acabava de acontecer nas proximidades de um bar, no centro. Por motivos pessoais dois cidadãos discutiram e um deles teria ofendido a moral do outro que saiu do local e mais tarde retornou com uma faca de cozinha. Dezesseis punhaladas interromperam a vida de um cidadão. O autor do crime teria tentado fugir, mas foi preso momentos depois de ter praticado o homicídio. Para a época, a exemplo do crime do machado, esse foi outro assassinato bárbaro. Estes, nos dias de hoje, seriam apenas mais dois registros policiais, mais dois números nas estatísticas, mas levando-se em consideração que o primeiro foi cometido há 74 anos e o segundo há 54 e que até hoje os moradores do local relembram com detalhes, eles merecem um registro na história da cidade.

(BB)

::…  Os dois textos desta coluna não têm nenhuma relação com episódios reais. Caso haja alguma semelhança com episódios verídicos, é pura coincidência.

Texto publicado no Jornal Sabadão do Povo, edição de 04 de fevereiro de 2017.