Desperdício de alimentos pode prejudicar a sustentabilidade do planeta

Biólogo e docente da Uniara fala sobre os impactos e as consequências do exagero de alimentos

Todos os dias nos deparamos com uma quantidade absurda de alimentos desperdiçados seja por problemas na produção, no armazenamento ou no próprio consumo. O biólogo e docente da Universidade de Araraquara – Uniara, Adalberto Cunha, fala sobre os impactos e as consequências do exagero e do desperdício dos alimentos.
Ele afirma que um relatório divulgado pela Organização Não Governamental – ONG Institution of Mechanical Engineers, intitulado Global Food: Waste not, Want not (Alimentos Globais: Não Desperdice, Não Sinta Falta), “aponta que, no mundo inteiro, é desperdiçado em torno de 50% de tudo o que é produzido para a alimentação humana”.
De acordo com Cunha, os motivos são diversos, porém os principais estão relacionados com “problemas na produção dos alimentos nas propriedades rurais; com a logística de chegada até o consumidor como, por exemplo, o transporte ineficiente, embalagens inadequadas e armazenamento errado, entre outros. Além dos prazos de validade, que muitas vezes são curtos demais, do visual do produto que não agrada, e das perdas que acontecem na casa do consumidor”.
O docente conta que essas questões poderiam ser tratadas como meramente econômicas, porém afetam de forma direta a sustentabilidade do nosso planeta, “pois, para que os alimentos sejam produzidos, há necessidade de utilizar uma série de recursos naturais que são transformados e uma grande produção de resíduos, que são depositados no meio ambiente”.
“Para ter uma ideia do custo ambiental desperdiçado, o relatório alerta que, atualmente, 550 bilhões de metros cúbicos de água são perdidos na produção de alimentos que irão para o lixo. Por outro lado, estima-se que, entre 1,2 e 2 bilhões de toneladas desses mantimentos nunca serão ingeridos, ou seja, são destinados ao lixo”, salienta.
O ambientalista comenta que a população mundial está crescendo e, com isso, as demandas de produção de alimentos e o destino do que não é utilizado pode transformar-se em um grande problema para a sobrevivência do planeta. “Porém, antes de pensarmos no futuro, precisamos pensar no hoje, pois contamos com parcelas significativas de pessoas que não tem acesso à comida e água em diferentes regiões do mundo, especialmente na África, Ásia e nas Américas. O consumo de água, de solos agriculturáveis, de máquinas e equipamentos com gastos de combustíveis e o transporte, entre outras etapas do processo de venda de produtos do campo, tornam essa questão preocupante”, afirma.
Para ele, as novas tecnologias, os processos de industrialização e maior respeito aos pequenos e médios agricultores podem ajudar no equilíbrio entre as necessidades básicas e o modelo capitalista, “mas há a necessidade da intervenção das diferentes esferas públicas, tanto nacionais quanto transnacionais, para que se possa chegar a um novo patamar de equilíbrio entre necessidades e desperdícios”.
“O ideal é a conscientização da sociedade com maior condição econômica para a redução dessas perdas, as quais poderiam reduzir a fome e melhorar a sustentabilidade do planeta, com menores usos de recursos como a água e oferecer um destino mais adequado de menores quantidades de lixo”, aconselha o docente.
Cunha finaliza alertando que “cada um de nós tem responsabilidades dentro de casa em ser mais racional no uso dos alimentos e evitar o desperdício”.

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