Morre o professor Armando Persin, autor da Bandeira de Lençóis Paulista

 

Na manhã desta sexta-feira, (27) faleceu na Cidade de Piratininga o professor Armando Persin que durante alguns anos emprestou seus conhecimentos aos alunos da  escola Virgílio Capoani. Nos poucos anos que permaneceu na cidade foi uma figura atuante, tanto é que outubro de 1968, foi eleito vereador pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Todavia em virtude de sua remoção para Piratininga, renunciou ao cargo, que exerceu durante um ano apenas. Em 1966, por meio de concurso público, ele foi o autor da bandeira do município de Lençóis Paulista. O Passamento do ilustre professor consternou não só os alunos do Colégio Virgílio Capoani, mas toda a classe política que tinha nele um exemplo de homem público.

Saiba um puco mais da vida desse ilustre professor

Armando Persin, filho de Américo Persin e de dona Isabel Fagá Persin; nasceu em Piratininga, dia 07 de novembro de 1.935. É o décimo filho de uma família de onze irmãos, dos quais seis são homens. Desse período se recorda muito bem, do dia em que seu irmão caçula, Roberto (Pim), foi atropelado por uma carroça, ao entardecer, na frente da sua residência, onde estavam pegando terra da rua, com as mãos, e pondo no canto da calçada com a casa defronte, onde moravam.
Aos cinco anos de idade mudou-se para Santa Rita do Passa Quatro, (1940) cidade que o encantou desde o primeiro dia, pelas ruas arborizadas, pelas carrocinhas puxadas por um homem, e pela bela Igreja matriz; e onde ficou até a conclusão do Curso Normal (Curso de Formação de Professores Primários) (1954).
Em fevereiro de 1953 conheceu a sua namorada, Isaura, a quem se apegou firmemente, por amor à primeira vista: um dia, quando ainda não eram namorados, ele e seu mano, Américo (Keco), iam para a escola, quando à altura do Grupo Escolar, a Isaura passou por ambos, indo para o serviço. Armando disse:
-Keco, tá vendo essa menina?
-Estou. O que tem?
-Eu vou casar com ela!
-Ah!
Começou a namorá-la após a troca de cartões do correio elegante, na quermesse da padroeira da cidade, em maio de 1953.
Depois, foi para São Paulo, em janeiro de l955, logo após o falecimento de sua mãe, acontecido dia 02/jan/55; e passou a namorá-la por cartas. Da sua mãe, até hoje guarda na memória, a mesa de doces que lhe ofereceu, de surpresa, no dia de sua formatura, 18/12/54, e da reunião de familiares e amigos que se sucedeu.
Em São Paulo residiu, no primeiro mês, na residência do casal: Pedro Ciscato e da. Palmira Matoso Ciscato, que não cobraram nada pela estadia. Seus filhos: José Geraldo, Ana Ema, Paulo Fernando, eram bons amigos. Lutavam com dificuldades, e me comove, até hoje, a atenção que os grandes amigos, de Sta Rita, me dispensaram, a ponto de, ao chegar meu casamento, eu pedi que meus padrinhos fossem alguém dessa família, e foram: Dr; José Geraldo e Ana Ema.
Depois, no segundo mês em diante, morou, mediante pensão, na residência do casal Zeca Matoso e Da. Laura Matoso, na Travessa Bela Flor, nº 56. Passou o primeiro ano um ano sem estudar; começou a trabalhar no primeiro emprego: na Real Transportes Aéreos S/A, no Aeroporto de Congonhas. Nessa firma, fez seus dois primeiros voos de avião, em testes das aeronaves, que tinham passado pela retífica de motores, a firma. Trabalhou no Departamento do Pessoal da empresa, e, tendo sido contratado com três meses de experiência, no segundo mês teve aumento de salário. Saiu depois, para estudar, e em seguida foi readmitido, n setor de “Reserva de Passagens”, saindo pouco depois em virtude de no serviço haver a responsabilidade de, no caso de engano, ter que pagar voo em taxi aéreo, para o passageiro prejudicado.
A família mudou-se próxima à Igreja Nossa Senhora da Saúde, Rua Loefgren, nº 904, onde Armando ingressou na Congregação Mariana, com o objetivo de encontrar novos e bons amigos.
Em princípios de l956, lembrando a sugestão que lhe dera sua profa. Noemi Silveira, (de desenho pedagógico), que era admiradora de seus desenhos, fez o Curso para Professores de Desenho, no Instituto de Educação Caetano de Campos, escola das mais conceituadas na época. Este curso durou três anos: de 1956 a 1958.
Em shows teatrais promovidos pela congregação mariana, Armando apresentou-se, sempre, com raro brilhantismo, que foi convidado por uma senhora, para almoçar em sua casa, no dia seguinte ao espetáculo (Dia das Mães); foi convidado a participar, também, de um espetáculo do Clube dos Contabilistas de São Paulo, que seria realizado na sede do mesmo, num prédio próximo ao viaduto do Chá. Em 1959, animado pelos seus admiradores, foi a fazer um teste na TV Tupi, no qual foi elogiado pelo aplicador do mesmo. Mas, não se interessou pelo resultado final do teste, em virtude da sua aprovação no concurso para o magistério oficial do Estado, como vemos a seguir.
Armando, foi o orador de sua turma no magistério primário, e também orador do curso de Desenho.
Em 1959, prestou o concurso para professor secundário do Estado de São Paulo, constante de três provas eliminatórias, e no qual, foi aprovado em terceiro lugar, com a média 9,3.
Ingressou no magistério oficial em princípios de 1960, no Colégio Francisco Schmidt, de Pereira Barreto, onde, após seu primeiro ano de magistério, foi escolhido paraninfo de formatura. Católico fervoroso, foi convidado pelo padre local, frei Timóteo Maria de Porangaba, para ser o organizador da primeira Congregação Mariana Estudantil daquela cidade, missão da qual se desincumbiu muito bem. Em Pereira Barreto lecionou dois anos: 1960-1961.
No DIA 15 de outubro de 1960, contraiu matrimônio com a jovem Isaura Delsin, que abortou o primeiro filho, nati-morto, em julho de 1961. Morou dois meses no “Hotel Universo”, onde se alojara quando solteiro,só então conseguiu casa para alugar, mas por pouco tempo, pois a casa, segundo palavras do pároco, era muito: “vulnerável”. Pouco tempo depois, mudou-se para uma casa bem melhor, onde ficou até partir para a cidade seguinte.
Através de concurso de remoção, transferiu-se para a cidade de São Manoel, onde lecionou até agosto de l966, no CENE “Manuel José Chaves”. No primeiro ano em que lecionou nesta cidade, recusou a oferta de ser paraninfo, por sentir que havia outros professores com mais tempo de casa, e um deles deveria ser o escolhido. No último ano, de partida para Lençóis Paulista, onde lecionaria até agosto de 1970, recebeu um abaixo assinado de seus alunos do colegial, para que permanecesse na cidade. O prof. Armando, respondeu-lhes que, a permuta deveria se concretizar, mas ele se comprometia com os alunos de que “daria aulas para eles até o fim do curso.” E assim fez. Ele ia de Lençóis a São Manuel para lhes as aulas prometidas. Assim foi, até que um pai de aluno achou injusto tal procedimento: o certo seria os alunos irem à casa do professor. E assim foi feito.
Nos últimos três anos de São Manuel, Persin fundou um Grêmio Estudantil, através do qual promoveu atividades artísticas, através de shows, sempre com boa plateia; bailes da Rainha dos Estudantes; e, competições esportivas, masculinas e femininas, com cidades vizinhas. Durante quatro anos, com equipes de alunos, decorou as ruas de São Manuel, nas procissões de Corpus Christi. Na primeira vez, perguntaram-lhe: como seria o tapete, que era um desenho especial feito na esquina.
Persin alegou que nada sabia a respeito. Explicaram-lhe, ele foi para casa, e lá, sozinho, pintou o retrato do papa João XXIII, numa placa de duratex, que pôs como tapete na esquina.
Nos três anos que trabalhou no CENE Virgílio Capoani, de Lençóis Paulista, foi paraninfo de formatura em todos eles, por ser um mestre sumamente benquisto. Foi saudado como o responsável pelo sucesso da Feira de Ciências, pelo próprio professor encarregado de formalizá-la,que em março de 1970 a escola promoveu.
Em outubro de l968, foi eleito vereador de Lençóis Paulista, pela Aliança Renovadora Nacional. Todavia em virtude de sua remoção para Piratininga, renunciou ao cargo, que exerceu durante um na apenas.
Em agosto desse ano, por concurso de remoção, removeu-se para a sua terra natal, Piratininga, onde morava uma de suas irmãs, a Maria Persin Gasparelo.
Lecionou durante vinte anos, no CENE “Prof. Eduardo Velho Filho”, no qual se tornou, uma vez patrono e dezessete vezes paraninfo de formatura. E foi Paraninfo, também, de turmas, nos três anos que trabalhou em Bauru (uma vez na EEPG “Christino Cabral”, e duas vezes na “Henrique Bertolucci). Promoveu, com seus alunos de Piratininga, espetáculos teatrais; duas exposições de cartazes a cada ano, sobre as principais datas cívicas; promoveu uma exposição de homenagem aos negros, cujos cartazes foram executados pelo próprio prof. Persin com explicativos em cartazes feitos pelos alunos; e fez uma exposição de fotografias, com cerca de 500 fotos históricas da escola. Estas fotos e os cartazes explicativos fora doados à diretora do estabelecimento, que as perdeu.
Em trinta anos de magistério, sempre deu aulas adrede preparadas, por isso, nelas sobrava tempo ou para anedotas, ou para poesias, ou para pensamentos de pessoas célebres, ou para lições de moral e civismo.
Aposentou-se em 18 de maio de 1991, após ser convidado, para paraninfo, 25 vezes, e, uma para patrono.
De 17 a 20 de dezembro de 1970, ingressou no rol dos Cursilhistas de Piratininga.
Durante catorze anos foi palestrante, na Igreja, para os jovens que se preparavam para o matrimônio; ao mesmo tempo foi correspondente, por Piratininga, do Jornal da Cidade, de Baurú; e durante dez anos foi correspondente do jornal “O Estado de São Paulo” .
Em 1980 fez complementação do sue curso na “Caetano de Campos”, em Bauru, na Fundação Educacional de Bauru (posterior Unesp), sagrando-se professor em Educação Artística, quando desenho já caia de moda no currículo escolar. Nessa ocasião um professor de didática, falava para os alunos sobre a necessidade de fazerem estágio, ocasião em que Persin interferiu:
– Professor, eu já sou professor em Piratininga, sou o Prof.Persin…

Fonte: Academia Santarritense de Letras