O Limoeiro de Uris

Nos idos de 1963, um grupo de amigos resolveu passar uma tarde às margens do Rio Piracema, na propriedade da Família Barros, à época. Três  integrantes do grupo, Uris Paccola,  Alberto Giovanetti e Luiz Biral resolveram dar umas  voltas pelas cercanias da sede da fazenda, ou melhor, do rancho onde estavam temporariamente hospedados. Na espessa vegetação, plantaram algumas semente de limão-rosa. Passaram-se 30 anos sem que nenhum deles voltasse àquele local. Ninguém mais se lembrava das sementes depositadas nas terras ainda virgens daquela região. Em 1993, em companhia de alguns amigos, Uris Paccola, com sua velha e afinada acordeona à tiracolo, voltou ao rancho da mesma fazenda para passar mais um final de semana. Em determinado momento, lembrou-se das sementinhas que havia depositado na terra, havia trinta anos. Chamou então três companheiros, e contou-lhes toda a história. Apesar de céticos pois a estória era no mínimo absurda, acabaram entrondo no mato em busca do possível limoeiro. Roberto Conti, Horacio Moretto, Milton Moretto, e Silvio Lima zombavam de Uris Paccola dizendo que ele tinha sonhado e que naquela mata nunca tinha entrado gente. Exauridos e  desanimados, eles já pensavam em regressar para o rancho quando alguém decidiu olhar para o topo das árvores. Bem lá no alto havia centenas de cachos de limões (limão também forma cacho) vermelhos enfeitando o verde da floresta. O limoeiro de trinta anos de idade havia crescido além do normal, porque as árvores ao seu redor eram altas e toda planta vai em busca dos raios de sol, pelo menos foi o que explicou Uris. Mais tarde, amigos como Alberto Giovanetti e Daniel Zillo que levou a semente para análises, confirmavam a estapafúrdia, mas verdadeira história.  (Benedicto Blanco – jornalista, MTb 24509)