Pedindo ajuda ao anjo

 

Meu querido anjinho protetor!

Eu sei que você me escuta e por essa razão ouso lhe fazer uns pedidos.  Pode ser?

Pois é meu querido anjinho…. Mais um final de ano está chegando, o Natal já se aproxima e eu gostaria que você falasse lá com o Nosso Pai que está no céu para que Ele  desse uma forcinha pro meu pai aqui da terra, pois ele  está sem emprego e vivendo de biscates. O que ele ganha, mal dá para comprar os alimentos básicos e remédios.   Minha mãe, além dos meus três  irmãozinhos pra cuidar, não consegue emprego porque é semianalfabeta, mal sabe escrever o próprio nome. Além do emprego pro meu velho, gostaria de pedir alguns brinquedos, pode ser aqueles mais baratinhos das lojas de 5 Reais. Nos natais passados eu escrevi muitas cartinhas para aquele barbudo, safado e com cara de gay velho, mas parece que ele é meio elitizado, só trás brinquedos para filhos de ricos. Um menino que mora próximo à minha casa, cujo pai é executivo em uma multinacional e a mãe é professora em uma faculdade,  recebe bicicletas, carrinhos de controle remoto, motos elétricas, vídeos games, notebooks,  e outros brinquedos caros, mas pra mim e meus irmãozinhos ele não traz nada. Nem mesmo uma bonequinha para a minha irmãzinha ele trás. Parece marcação desse velho. Por que será que ele não agrada as crianças pobres?  Preconceito? Eu já perdi as esperanças de ganhar a minha bike, sei que ela não virá jamais, mas peço para os meus irmãos que ainda não entendem nada da vida. Eu tenho seis anos e meio e já sou um cara experimentado, vivido, calejado, mas meus maninhos queridos ainda são muito inocentes e sonham com um brinquedinho no natal. Olha meu anjinho querido… eu chego a ter ódio desse tal de Papai Noel. Juro mesmo. Vejo a tristeza no rosto de minha mãe por não ver os filhos felizes. Ela teria a maior alegria da vida se meus irmãos e eu ganhássemos um presentinho, mas esse Papai Noel só gosta de filhos de gente que tem dinheiro. Meu pai consegue extravasar um pouco a tristeza tomando umas e outras ali no boteco da esquina, mas minha pobre mãe sofre, chora escondido o tempo todo.  Peço então meu querido anjo, uma força para o meu pai arranjar um empreguinho com carteira assinada, mesmo que o salário seja pequeno, apenas o suficiente para comprar leite e pão para os meus irmãozinhos, que muitas noites vão dormir com fome.
Ah! Meu querido anjinho, antes que eu me esqueça, quero pedir também – se não for abusar de sua vontade –  uma ceiazinha de natal. Lá em casa tem poucas coisas para se comer, e meus pais não têm condições de comprar nada. Nos últimos natais não tínhamos nada para a ceia, quem sabe neste ano, no dia em que  celebramos a data máxima da cristandade, você consegue algum alimento para nós. Grande abraço procê, meu Anjinho querido. Feliz Natal e Próspero ano novo. Aguardo suas “costumeiras” providências.

Ass.: Um Menino

Benedicto Antonio Carlos Blanco – Jornalista