Aventuras amorosas

 

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Até final da década de 1960, quem passava pela Avenida Brasil, nas imediações da Praça das Palmeiras (Prefeitura), notava  que na porta de algumas residências havia  uma plaquinha com os dizeres: “Casa de Família”. Ocorre que,  naquele ponto da cidade estava instalada a Zona de Meretrício. Durante longos anos,  o local serviu como “espaço de diversão” não só para alguns cavalheiros natos, mas para aqueles que  por ventura viessem visitar a cidade. Conta-se que um ex-prefeito das antigas (não se sabe o nome dele), saiu cedo de seu gabinete que ficava onde está o Museu Municipal hoje,  e não mais voltou para o ambiente de trabalho naquele dia. Um de seus auxiliares da época (que ainda vive), passou defronte a uma das casas e notou que o veículo  utilizado pelo alcaide estava estacionado na porta e ali permaneceu o dia todo. Na manhã seguinte, sem saber que tinha sido visto por seu funcionário, tentou mentir que  havia viajado para uma cidade da região, mas não colou e  foi desmentido na hora. Muitos risos e tudo se resolveu sem que a primeira dama do município ficasse sabendo da escapadela do marido.

Três ou quatro décadas atrás, logicamente, não havia motéis na cidade. Quem optasse por uma relação um pouco mais quente tinha que se aventurar nas capoeiras, nas casas em construção, ou nos canaviais. Uma ocasião, um importante comerciante resolveu dar uma “puladinha de cerca” e embrenhou-se com a namorada num canavial próximo da cidade. Quando voltava do “passeio” percebeu que outro veículo o seguia e dava sinal de luz. De cara imaginou que fosse o marido ou o namorado da parceira que estava com ele. Era um de seus grandes amigos que desesperadamente forçou a ultrapassagem e bloqueou a passagem dizendo: “Você tem diversas canas enroscadas no pára-choque do seu carro. Que justificativa vai dar à patroa quando chegar em casa?”  Outra estorinha conta que uma equipe de pedreiros trabalhava na construção de um predinho no centro e todas as manhãs aqueles profissionais  encontravam o local todo revirado e imaginavam que fosse cães vadios que pernoitavam no local. Um dia eles se depararam com  diversas peças de roupas e um anel valioso com as iniciais do nome de  uma jovem senhora da época. Por ela ser extremamente conhecida, nenhum deles foi doido suficiente para revelar as letras gravadas na jóia. Sabe-se que essas aventuras amorosas não são privilégios desta ou daquela cidade. Em todos os recantos deste País há sempre alguém se aventurando num romance perigoso. Essas narrativas são verdadeiras. E tem gente que não acredita nas historias que eu conto! Que pena, não?

 

Pensamento

 “Se a ideia for pular a cerca, faça antes uma avaliação acerca da ideia” BB
::.. Benedicto Blanco é jornalista, colunista no Jornal Sabadão do Povo, administrador do site Lençóis Notícias e membro da Academia Literária Lençoense.

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