Era uma vez um reizinho que não sabia reinar

Prá poder levar seu plano de se projetar politicamente em todas as plagas que circundavam o seu castelo, contratou um pensador para mostrar-lhe os caminhos a seguir. Acontece que o pensador não tinha uma imagem ilibada e seu passado não era nada que alguém pudesse tomar como exemplo. Mas, o pensador, usando de suas artimanhas, tinha consciência de que seu chefinho estava em suas mãos, e por essa razão, poderia ser destituído do cargo caso não cumprisse à risca aquilo que fosse determinado por ele. O reizinho  sabia que precisava se livrar daquele que um dia até foi útil para sua ascensão, mas naquele momento a estória era outra e ele precisava se ver livre daquele peso. Mas tinha mais um agravante. O suplente do reizinho comungava com quase todas as idéias do pensador, e isso perturbava os pensamentos do pequeno monarca.

Às vezes ele pensava que algum tipo de conspiração estava sendo organizado contra ele, mas apesar das desconfianças – quase certeza – não havia nada que provasse tal suspeita. Ele sabia que, mais cedo ou mais tarde, seu principal escudeiro, o conselheiro, o “apunhalaria pelas costas”, pois seu passado mostrava essa tendência traiçoeira, (evidentemente falando no campo das idéias).

Para complicar, o monarca sabia que seu principal concorrente ao trono se reunia com certa freqüência com seu conselheiro. Como um marido traído, sabia de tudo o que estava acontecendo, mas não podia provar e quando ameaçava fazer uma investigação, seu suplente – que era da mesma estirpe do conselheiro – o demovia da ideia.

O reizinho já nem governava direito. Não fossem os adversários declarados, havia também, dentro do seu próprio castelo, os que queriam vê-lo pelas costas. A situação estava insustentável. Apesar das aparências tranquilas do seu império, muitos dos seus súditos, em surdina já tinham debandado para o lado dos seus adversários.

Bem que ele estava desconfiado, mas não podia fazer nada porque quem arquitetava essas negociações era o seu pensador, ao qual, no passado, ele conferiu amplos poderes. A influência do pensador era tanta que, nenhuma decisão era tomada pelo pequeno monarca sem que o pensador estivesse presente. O pensador tinha planos. Sonhava com poder, status e, para isso não media as consequências para atingir seus objetivos.

E o reizinho sabia disso. Tanto é que, uma de suas maiores preocupações era em relação ao final de seu reinado. Teria seu fiel escudeiro e pensador alguma carta na manga para na hora agá exigir muitas vantagens para ficar com a boca calada? Agora vai uma justificativa que ninguém conhece: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

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