Lendas, Estórias, Crendices….

Antigos lençoenses contavam que no início do século 20 ouviram de uma Rádio do Rio de Janeiro, a notícia de que em Lençóis havia um “monstro” conhecido como “minhocão”. De acordo com as informações, o animal teria mais de 6 quilômetros de comprimento e estaria adormecido no subsolo da cidade e caso viesse a mover-se, derrubaria todos os prédios causando um acidente de grandes proporções. Apesar de grande parte da população ter ficado assustada, nada mudou na rotina da maioria dos lençoenses, até que  em 1978, o assunto voltou à baila quando a Rádio Difusão do MEC, (Ministério da Educação e Cultura) reiterou a notícia.
A possível existência do “bicho” foi registrada em diversos livros de história da cidade, sobretudo nos escritos pelo jornalista Alexandre Chitto. Uma pessoa muito ligada ao autor deste texto, chegou a mudar-se para a zona rural para fugir de uma possível investida do minhocão. Ao tomarem conhecimento, famílias inteiras se reuniam em oração, pedindo proteção divina para se livrar do animal. Terços, novenas, procissões eram feitos diariamente. Jornalistas vinham de outras plagas em busca de informações. Todos queriam noticiar com letras garrafais a existência do minhocão.
Depois, a partir do início da década de 80, nada mais se falou sobre a lenda, mas, ainda hoje, há quem garanta que o tal “minhocão” ainda vai se revoltar e fazer principalmente aqueles que têm pecados graves, particularmente os praticados na área política, ficarem castrados para o resto da vida. Quem tiver alguma dúvida, que se atreva a cometer pecados políticos.
Outro período emblemático registrado na história da cidade, foi quando nos anos 60 se noticiou que um cidadão havia fugido da cadeia local. Apesar do caso ser até corriqueiro, ele, contudo, não era um fugitivo qualquer, pois segundo diziam, tinha o poder de ficar invisível. O pessoal que morava na zona rural fechava as casas logo que o sol se punha e ninguém mais se atrevia ir para o quintal.
O medo do cara era terrível. Dizem que ele subia nas mangueiras, assoviava, cantarolava, comia as mangas e atirava os caroços no chão sem que ninguém o visse. Como nenhum dos “corajosos”, em momento algum teve o “privilégio” de encontrá-lo, a situação foi se acalmando e de um dia para outro nunca mais se falou sobre o tal fugitivo. Essas – dentre muitas outras – são estórias que me contam e eu passo para os leitores.

::.. Benedicto Blanco é jornalista, administrador do site Lençóis Notícias e membro da Academia Literária Lençoense  (ALL).

 

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