Meu ídolo

 

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Todo mundo tem um ídolo, alguém que sirva de referência para toda a vida. Uns preferem grandes cantores, artistas, escritores, desportistas, políticos, pensadores, etc. Outros elegem pessoas anônimas, mas que deixam marcas indeléveis na vida de seus semelhantes. O meu ídolo atendia pelo nome de José. Pessoa simples, pouquíssima instrução escolar, mas de uma vida proba, irretocável. Apesar de semianalfabeto, era dotado de uma inteligência ímpar, e “dava aulas” quando o assunto era geografia e história mundial. Ao pé da letra ele dizia a capital de todos os países mais conhecidos. Falava de seus regimes políticos, demografias e religiões predominantes. Tive o privilégio de com ele conviver, ouvir suas histórias e aprender a remar sozinho nesse mar de incertezas que irremediavelmente a vida viria me apresentar. Suas lembranças estão incrustadas na minha mente e faço questão de conservá-las intactas. Elas me alimentam, fortalecem e mostram os caminhos a seguir quando a vida me apresenta alguma bifurcação. Na sua peregrinação pela terra, ele foi a minha bussola, a aragem suave que soprava as velas da nave que me transportou para a terra firme, para meu porto seguro. Foi sob sua batuta que aprendi os valores de cada componente dessa orquestra conhecida como “Família”. Sua regência ditou o ritmo e os rumos da prole composta por sua companheira ao longo de dez lustros, e seis dependentes, sendo eu o primogênito. Meu ídolo nunca viajou, nem se ausentou de sua terra natal, mas “conhecia o mundo”, graças à sua tenacidade, e vontade de saber. Escolheu o dia 7 de maio de 2000 para fazer sua única viagem, aquela que não teve retorno, que deixou uma saudade danada nos que muito aprenderam com seus sábios ensinamentos. Meu ídolo passou a fazer parte daqueles que dormem o sono dos justos, dos que tiveram uma passagem ilibada pela terra. O gigante tombou, não resistiu as intempéries e ruiu. O majestoso e frondoso carvalho não suportou o forte vendaval e beijou o chão. A morte, ceifadora de vidas levou o meu ídolo para o andar superior e de lá ele continua orientando os meus atos aqui na terra. Meu pai se chamava JOSÉ e ele é o meu ídolo.

 

Pensamento:
“Se quiseres encontrar um tesouro, cave primeiro no quintal de sua casa” BB

• Benedicto Blanco é Jornalista, Administrador do site Lençóis Notícias e membro da Academia Literária Lençoense.

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