Prosa entre adolescentes

 

– Lucinha, que você está lendo?
– Este livro que fala sobre Lençóis!
– Poxa, legal. Meu pai tem um livro desses, ou parecido com esse lá em casa.
– Seu pai gosta de ler sobre a história da cidade, Pedrinho?
– Gostava, mas agora ele não enxerga muito bem e deixou de ler.
– O que é que o seu pai tem nos olhos?
– Nada. Ele não tem nada, mas vive reclamando que não consegue mais enxergar.
– Então vocês deveriam aconselhá-lo a visitar um médico especialista em olhos.
– Já dissemos isso a ele, mas como é bastante turrão disse que não irá.
Que pena, assim ele acabará ficando cego.
– Mas voltando ao livro, você já leu este editado no ano passado?
Não! Ainda não li, mas como eu sei a história da cidade de cor e salteado, não vejo necessidade em perder tempo lendo mais essas baboseiras que os historiadores insistem em colocar nos livros.
– Engano seu, Pedrinho. Você já ouviu falar que uma das maiores ruas da cidade tinha outro nome?
– Não. Qual rua?
– A rua Cel. Joaquim Anselmo Martins, por exemplo,  era rua Tibiriçá,  e depois, para homenagear um homem que teve grande participação na história do município, ela mudou de nome. Mas, não foi só essa rua. A avenida Nove de Julho já foi rua Siqueira Campos, depois passou para rua Paraguai e para celebrar a Revolução Constitucionalista de 1932, foi batizada de Avenida Nove de Julho.  A  rua Geraldo Pereira de Barros também tinha outro nome. Era rua Barão de Melo Oliveira, em homenagem a um fazendeiro que doou terras para construir a cidade. Hoje a rua Barão de Melo Oliveira está logo atrás da fábrica da antiga Zabet, começando na rua Piedade e terminando na rua Ignácio Anselmo, na pista de atletismo Juraci Cassita.
Pois é meu amigo Pedrinho. Neste livro tem muitas coisas importantes. Diz aqui que a rua Richieri Jácomo Dalben, atrás do Clube Marimbondo se chamava rua da Glória que, por sua vez mudou-se para o bairro São João, defronte ao hotel Colonial.  Outra rua que mudou de nome foi a  Raul Gonçalves de Oliveira que antes era rua Riachuelo. No centro, a rua Dr. Antonio Tedesco, anteriormente era rua Floriano Peixoto e a rua Pedro Natálio Lorenzetti era rua Marechal Deodoro da Fonseca. A avenida 25 de Janeiro, da Igreja São Benedito até perto do Cemitério se chamava Avenida Dona Januária que depois foi transferida para defronte  a estação ferroviária. Veja você meu amigo Pedrinho, o quanto é importante o relato desses historiadores que passam dias, meses, anos a fio, debruçados sobre documentos antigos para nos presentear com essas informações maravilhosas. Veja você esta curiosidade: Em entre 12 de março e 17 de dezembro de 1932, a cidade de Lençóis Paulista teve cinco prefeitos: Mamério Mascate, Elias de Oliveira Rocha, Fortunato Pignatari e Lafaiette Muller Leal. Não é uma informação interessante?
– Oh se é! Mas tem tudo isso nesse livrinho, amiga Lucinha?
-Tem isso e muito mais meu amiguinho, mas voltando a falar sobre o teu pai, diga a ele para procurar um médico o quanto antes, pois só assim ele poderá continuar lendo essas histórias maravilhosas sobre a nossa cidade.

Benedicto Blanco – Jornalista
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