Variante do novo coronavírus já pode estar em Bauru, diz secretário

Município encaminhou 50 amostras para análise do Instituto Adolfo Lutz; resultados devem ficar prontos em uma semana

Orlando Costa Dias relata a preocupação com a variante (foto: Malavolta Jr.)

Após a circulação da variante brasileira do novo coronavírus, conhecida como P1, ter sido confirmada no Interior do Estado – inclusive na região -, a Secretaria Municipal de Saúde decidiu encaminhar 50 amostras de material coletado de pacientes de Bauru para serem analisadas pelo Instituto Adolfo Lutz, na Capital. A expectativa é de que o resultado fique pronto dentro de uma semana, mas o secretário de Saúde, Orlando Costa Dias, adianta que esta nova cepa já pode estar sendo transmitida na cidade.

“Já temos casos em Jaú e Araraquara (leia mais nas páginas 12 e 14) e acredito que já haja em Bauru. A transmissão ocorre de forma muito rápida e queremos identificar o que está ocorrendo na cidade para tomarmos as medidas que forem necessárias”, observa.

Foram encaminhadas amostras de pacientes de diferentes regiões da cidade e faixas etárias com confirmação de infecção por Covid-19. A investigação será feita por meio de sequenciamento genético do vírus, além de levantamento de históricos de viagens e contatos destas pessoas.

Até esta segunda-feira (15), 25 casos da linhagem brasileira já tinham sido confirmados no Estado, sendo 16 deles autóctones, ou seja, de pacientes que não viajaram ao Amazonas ou tiveram contato com moradores de lá, onde esta cepa foi descrita pela primeira vez. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, há casos confirmados na Capital, Jaú, Águas de Lindóia e Araraquara. Há, também, outras sete confirmações da variante britânica na Capital e em Sorocaba.

De acordo com Costa Dias, uma das principais preocupações é o comprometimento de pacientes jovens sem comorbidades, já que esta nova linhagem parece levar, com maior frequência, a quadros graves e até fatais em pessoas com este perfil. Acredita-se, ainda, que ela possa ser mais transmissível, com chances de também ser mais resistente às vacinas desenvolvidas até agora. “Pode ser que o nível de proteção diminua”, acrescenta.

SEM COMPROVAÇÃO

Por meio de nota, o governo do Estado informou que, até o momento, “não há comprovações científicas de que sejam variantes mais transmissíveis ou que provoquem quadros mais graves, nem evidências referentes à capacidade de resposta imune das vacinas disponíveis”. Apesar de acreditar que a nova cepa já circula em Bauru, o secretário municipal de Saúde também não considera que a maior letalidade da Covid-19 nesta primeira metade de fevereiro – já são 42 mortes em 15 dias no município (leia mais na página 6) – tenha relação com a variante.

“Acredito que ainda sejam casos de infecção entre o final do ano passado e início deste ano. As mortes ainda estão concentradas em moradores acima de 50 anos e com comorbidades. É algo que pode mudar, mas, até agora, não tivemos aumento do número de pacientes mais jovens com progressão ruim da doença”, aponta.

Diante do cenário, Costa Dias revela que, nesta semana, pediu endurecimento das fiscalizações relacionadas à festas clandestinas e demais aglomerações e que, se a circulação da variante for confirmada na cidade, novas medidas poderão ser adotadas. Em Araraquara, por exemplo, a prefeitura decretou lockdown, restringindo, inclusive, a circulação de carros, bicicletas e pessoas a partir desta segunda (15). “Se começarem a existir muitos casos em Bauru, poderemos precisar tomar atitude parecida”, completa o secretário.

fonte: jcnet.com

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