Caio demite mais de 100 fiuncionários

A Caio Induscar de Botucatu anunciou a demissão de funcionários na manhã desta segunda-feira, 1º de junho. As demissões estão ocorrendo devido a paralisação das vendas de ônibus, problema que já vinha sendo administrado pela empresa desde o ano passado, mas que chegou ao limite da empresa com a crise sanitária provocada pela Covid-19.

A Caio não confirmou o número de demitidos, porém algumas pessoas que foram dispensadas da empresa entraram em contato com o Jornal Leia Notícias e informaram que apenas nesta segunda-feira, 1º, foram 150 demitidos e este número deverá se repetir, diariamente, até quinta-feira, quando totalizaria cerca de 600 pessoas. A Caio não confirmou a informação à redação do Leia Notícias e a assessoria disse que na terça-feira poderá dar um posicionamento.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu, Cláudio Beiço, foram 130 funcionários demitidos nesta segunda-feira. “A proposta inicial da empresa era a demissão de 47% do efetivo, depois de muitas negociações chegamos a 8%, graças ao bom trabalho em conjunto do Sindicato e a Diretoria da Caio. Hoje foram 130 demissões. A previsão é que amanhã ocorram mais 130, aí encerram as demissões. Na quarta e na quinta vamos fazer a votação para um novo acordo, com estabilidade até 30 de novembro”, disse Beiço.

As empresas do Grupo Caio em Botucatu empregam mais de 5 mil trabalhadores. O setor fabril é considerado o maior empregador industrial e no setor metalúrgico e mecânico da região.

No último sábado, 28, Maurício Cunha, diretor industrial da Caio Induscar, distribuiu um áudio negando a informação de que ocorreriam cerca de mil demissões, conforme anunciado por funcionários na rede social.

O empresário disse que não tem definição nenhuma sobre a quantidade de demitidos e ressaltou que os comentários sobre as demissões “são injusto, desumanos e um desserviço para a população”. A Caio não confirmou a informação à redação do Leia Notícias e a assessoria disse que na terça-feira poderá dar um posicionamento.

O mesmo funcionário que disse sobre as demissões informou que além do problema da Covid-19, os desligamentos tem a ver com o mercado de ônibus, que diminuiu ano a ano, nos últimos 5 anos, agravado pela crise política e econômica, sanitário e burocrático, devido aos retrocessos em uma licitações que permitiriam mais empresas operando no mercado rodoviário, intermunicipal e urbano.

Mercado

Regularmente, as prefeituras e empresas concessionárias de serviços de transportes realizam compras de veículos no primeiro semestre de anos eleitorais, que foi prejudicado também pela crise da Coronavirus. No primeiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados pela Fabus (Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus) foram 1028 ônibus urbano e 46 micro-ônibus. Nesse mesmo período, em 2019, foram 1.798 veículos urbanos e 153 micro-ônibus.

No final de abril, Walter Barbosa, diretor de vendas e marketing da Mercedes-Benz, uma das maiores fabricantes de chassis de ônibus do Brasil, previu um mercado 35% menor que em 2019, ficando entre 13 e 14 mil unidades.  No ano passado foram produzidos 21 mil chassis, dos quais mais da metade dos urbanos foram montados pela Caio Induscar de Botucatu. A expectativa da Mercedes Benz é de que o mercado comece a melhorar a partir de agosto. Em 2018 foram produzidos 27.668 ônibus.

Senado

Por outro lado, o horizonte da indústria de ônibus não tem bons horizontes. No último dia 28 de maio, o Senado Federal retirou a pauta o Projeto 10.157, de 4 de dezembro de 2019, do Presidente Jair Bolsonaro, que instituía estímulos para o transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros. Segundo os senadores a matéria foi retirada de pauta para construir alternativas em conjunto com o Ministério da Infraestrutura. A proposta deve retornar à discussão dentro de 30 dias.

Haroldo Amaral – Jornal Leia Notícias

 

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