Ideval Paccola

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Eleito em 1982, junto com a onda de crescimento do PMDB, Ideval Paccola governou Lençóis Paulista por seis anos; pela primeira vez na história do município o poder saía das mãos dos grupos políticos dominantes
Quem viveu aquela fase é unânime em dizer: a campanha que elegeu Ideval Paccola prefeito de Lençóis Paulista, em 1982, não foi nada fácil. Foi uma campanha truncada, com farpas – e até algumas agressões – de ambos os lados, que pela primeira colocaria no poder um representante da esquerda lençoense. O Brasil ainda estava sob o regime militar (cujos candidatos Ideval combatia), mas o país vivia tempos de mudança. As eleições daquele ano foram marcadas por um grande avanço do MDB em todo o território nacional. Uma época tão marcante que até hoje é possível encontrar eleitores lençoenses que votam no MDB por pura e simples paixão. Ideval era da esquerda desde muito jovem. Tanto é que a história dá conta que, no início da sua carreira política, procurava se consultar bastante com o alfaiate Alfredo Chiari, que nos anos 60 chegou a ser detido pelas autoridades sob suspeita de se envolver em movimentos comunistas.
Na edição de hoje, o jornal O ECO traz um pouco da trajetória política de Ideval Paccola, principalmente o período compreendido entre 1983 e 1988, quando esteve à frente da prefeitura. Vêm dessa época realizações importantes para o desenvolvimento da cidade, como a ponte ligando a rua 28 de Abril à rua César Giacomini, e outra ponte ligando a rua César Giacomini à rua Niterói. Ideval também representava uma filosofia nova e deu bastante atenção a uma área que não era moda na época: a Cultura. Entre outras ações no setor, criou a Casa da Cultura “Professora Maria Bove Coneglian” e o Museu Histórico e Cultural Alexandre Chitto. Ideval também é o responsável pela criação e implantação do Centro Municipal de Formação Profissional, que seria o embrião da unidade do Senai de Lençóis Paulista, que é considerada nacionalmente como uma referência em formação profissional nos dias de hoje.

Uma eleição com festa popular   

Até hoje o governo Ideval Paccola é considerado um dos mais populares da história recente do município. Entrou para a política cedo, aos 29 anos, em 1963, recém-casado, elegeu-se vereador pela primeira vez. Até então estava seguindo os passos de Jácomo Augusto Paccola, seu pai, que foi eleito vereador em 1948, a primeira eleição direta depois da ditadura de Getúlio Vargas. Tentou candidatar-se a prefeito em 1972, mas teve sua candidatura impugnada por causa de um cargo sindical no qual cumpria seu mandato. Ideval Paccola chegou a prefeitura na segunda eleição que disputou. Na primeira vez, chegou a ser o candidato mais votado nas urnas, nas eleições de 1976. Mas o sistema eleitoral vigente na época acabou por dar a vitória a Ézio Paccola.
Seis anos depois, Ideval volta às urnas, dessa vez para garantir a vitória sem deixar dúvidas. O bipartidarismo político já havia terminado. No dia 20 de dezembro de 1979 foi instituída no Brasil a Lei dos Partidos Políticos, que previa a legalização do pluripartidarismo. Novamente os brasileiros teriam a opção de escolher entre mais de dois partidos. Além da legalização do pluripartidarismo, foi instituído que toda agremiação política teria que levar o nome “partido” na frente, o que foi uma forma de tentar acabar com o antigo MDB (Movimento Democrata Brasileiro), que se fortalecera no final dos anos 70. Portanto, a partir de 1980, o MDB passou a se chamar PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) e a Arena (Aliança Renovadora Nacional) foi renomeada como PDS (Partido Democrático Social).
Mesmo com a volta dos partidos, apenas o PMDB (antigo MDB) e o PDS, Partido Democrático Social, (antes ARENA) colocaram chapas na disputa dos cargos municipais. O PMDB vinha em uma onda avassaladora de crescimento. E – assim como na maior parte das cidades onde o partido lançou candidaturas – conseguiu a vitória nas eleições municipais em Lençóis Paulista. Era a primeira vez desde a década de 50 que o poder trocava de mãos. Sem contar que Ideval foi à forra. Dessa vez, além de ser o mais votado, ganhou a eleição em números de legenda. Com de 6.940 votos (em um universo de 15.475 votos válidos), deixou para trás seu adversário, o empresário João Carlos Lorenzetti – que foi às urnas com o apoio do então prefeito Ézio Paccola –, para finalmente chegar ao cargo de chefe do Executivo. Lorenzetti fez 5.943 votos. O PMDB garantiu também a vitória na legenda, fazendo 7.104 votos contra 6.694 do PDS.
O partido havia disputado a eleição com duas chapas: a chapa vencedora apareceu com Ideval Paccola, tendo como vice Hiller João Capoani, o Billy. A outra chapa dos peemedebistas era composta por Luciano Bernardes Filho, como prefeito, e Mauro Pelegrin, como vice. Para concorrer com as duas chapas do PMDB, o PDS lançou três. Além de João Carlos Lorenzetti e Wladislaw Capoani como vice, o partido veio com Arlindo Torres da Silva e José Benedito Dalbém, e a terceira vinha com Nicanor Pereira de Godoy e Josué Gomes. Luciano Bernardes conseguiu 612 votos. Arlindo Torres fez 339 votos e Nicanor Pereira de Godoy recebeu 442 votos.
Naquele dia 15 de novembro de 1982, além de eleger Ideval Paccola para prefeito, o eleitor lençoense foi às urnas para eleger seus 13 vereadores e deputados estaduais, federais, senadores e governadores.Também pela primeira vez, o grupo político que até então era oposição conseguia fazer a maioria na câmara lençoense. O PMDB elegeu sete vereadores, contra seis eleitos pelo PDS.
O PMDB elegeu Adimilson Wanderley Bernardes, o Dingo, Vicente Bento de Oliveira, José Carlos do Amaral, Francisco Alberto Gordono, Waldemar Geraldo da Motta, Waldir Gomes e Sílvio de Godoy Cordeiro. Pela extinta ARENA, então PDS, foram eleitos João Sérgio Lorenzetti, Antonio Carlos Vacca, José Prado de Lima, Ermenegildo Luiz Coneglian, Ângelo Milton Giovanetti e Fábio Antonio Brígido Dutra.
Era quase 16h de uma quarta-feira, quando os eleitores perceberam que o resultado nas urnas era irreversível. Naquela dia, Ideval Paccola acompanha a apuração em casa, pelo rádio, quando foi praticamente seqüestrado por uma pequena multidão de eleitores querendo comemorar com o mais novo prefeito. Ideval foi levado nos ombros até o estádio Archângelo Brega, o Bregão, onde falou pela primeira vez como prefeito de Lençóis Paulista. Depois, do mesmo jeito, foi carregado até a Concha Acústica onde convidou o povo para a grande festa da vitória, que aconteceria naquele próximo final de semana, no Corvo Branco.  Em seu discurso de posse, em sessão solene da Câmara, criticou o paternalismo administrativo e defendeu a participação popular no seu governo. “Governar com o povo e para o povo”, pregava, e o slogan de sua administração era “Vamos Governar Juntos”.  Ideval deixou a prefeitura em 1988, mas não conseguiu deixar de lado sua paixão pela política. Não conseguiu eleger seu sucessor, Adimilson Vanderlei Bernardes, o Dingo, nas eleições de 1988. Em 1992, saiu candidato a prefeito de novo tendo na sua chapa Norberto Pompermayer como vice-prefeito. Foi derrotado pelo ex-discípulo Dingo. Não disputou as eleições de 1996, mas foi um dos fortes articuladores da candidatura do médico Sérgio Marum. Em 2000, trocou as décadas de militância no PMDB pelo PSDB, mas ficou de fora do jogo político nas eleições daquele ano. Faleceu no dia 13 de agosto de 2003.

Uma época marcante    

A saudosa equipe de governo de Ideval Paccola deixou um registro sobre aqueles seis anos em Lençóis Paulista. Desse período remonta uma lista considerável de realizações, na qual seguramente constam mais de 50 itens. Escolas, postos de saúde, creches, ginásio, asfalto, casas populares, enfim, uma gama bem variada de conquistas.
Entre as obras e benefícios conseguidos para a cidade durante seu governo, uma dela salta aos olhos. Principalmente pela importância que ela foi agregando ao longo dos anos até se tornar o que é hoje. Foi Ideval Paccola quem concebeu e implantou o Centro Municipal de Formação Profissional, embrião da gigante educacional que a unidade do Senai de Lençóis Paulista representa hoje. Em homenagem ao ex-prefeito, hoje o centro municipal – que funciona como uma autarquia, é chamado de CMFP “Prefeito Ideval Paccola”, o Senai também leva o mesmo nome.
No entanto, praticamente todas as áreas do serviço público municipal têm a mão de Ideval Paccola. Soube tirar proveito da onda de civismo que tomou conta dos simpatizantes do PMDB e, mais ainda, soube tirar proveito da proximidade que tinha a dupla, então governador e vice-governador, Franco Montoro e Orestes Quércia, respectivamente, amigos antigos de militância política.
Vale ressaltar que, frente à prefeitura, Ideval investiu no progresso urbano de Lençóis Paulista. Em duas épocas distintas de sua gestão, interligou vários pontos da cidade. Um dos exemplos mais importantes foi o viaduto sobre a rodovia Osny Matheus, que liga o centro à parte alta da cidade. A obra possibilitou, entre outras coisas, o desenvolvimento da parte alta norte da cidade. Dando seqüência à filosofia de estruturação da cidade, Ideval também construiu outras duas pontes que teriam completado o seu plano. Uma delas ligava a rua 28 de Abril à rua César Giacomini, a outra ligava a rua César Giacomini à rua Niterói. Terminado o seu governo, o lençoense tinha um caminho muito mais curto e rápido entre os extremos norte e sul da cidade.
Ideval Paccola também investiu na melhoria do bairro rural de Alfredo Guedes. Foi ele que construiu a estrada vicinal Waldemar Geraldo da Motta, que liga o bairro à rodovia Marechal Rondon (SP-300). Ideval ainda perfurou um poço profundo para melhorar a distribuição de água naquela comunidade. Outras obras de sua administração fazem parte da paisagem do distrito até hoje. Ainda em Alfredo Guedes, construiu o posto de saúde e o terminal rodoviário.

O prefeito da cultura         

Quando se fala na administração de Ideval Paccola, seria injusto deixar de registrar um dos pontos mais marcantes de seu governo: a atenção que ele dava à cultura. Um dos primeiros atos de Ideval frente à prefeitura foi estruturar o Serviço Social para incentivar a atividade artesanal no município.
Também durante sua administração foi criado o Museu Histórico e Cultural “Alexandre Chitto”. Ideval era amigo próximo do jornalista e historiador Alexandre Chitto, que desde o final dos anos 70 já arrecadava e armazenava objetos antigos, material que viria a ser o acervo do futuro museu. O museu foi instalado no prédio da antiga Destilaria Central, cedido pelo IAA (Instituto de Açúcar e Álcool). O prédio ficou sob responsabilidade do poder público municipal até 1991, quando o então presidente Fernando Collor de Melo extinguiu o IAA. Ideval também concebeu e instituiu a Casa da Cultura “Professora Maria Bove Coneglian”.
Ideval também reformou a Biblioteca Municipal “Orígenes Lessa”. Aliás, Ideval era amigo próximo do escritor, que facilitava o acesso da cidade nas esferas superiores do poder federal. Para se ter uma ideia, na edição da Caravana da Leitura, realizada em 1986, Lessa e Ideval trouxeram para Lençóis Paulista nada menos que o então presidente José Sarney, companheiro do escritor na Academia Brasileira de Letras. A visita do presidente deixou a cidade no foco mídia nacional naquela semana. Sarney veio no auge de sua popularidade, uma semana depois do lançamento do Plano Cruzado.

Uma festa no Corvo Branco     

No início dos anos 80, a caravana do PMDB, liderada por Ideval Paccola, percorria os bairros de Lençóis Paulista fazendo comícios e conversando com os eleitores. Além das idéias do PMDB – que aos quatro cantos do Brasil crescia na boca e na preferência do povo – Ideval queria levar um novo jeito de fazer política. Seus comícios não tinham a tradicional festa para o povo, artimanha historicamente usada por políticos para garantir uma mais recheada aglomeração de público.
Esses comícios eram chamados pela equipe de campanha do PMDB como “comício à moda antiga”, ou “comício de verdade”. Na época, Ideval chegou a dizer na imprensa lençoense que seus comícios não tinham violeiros nem queima de fogos, porque era uma forma encontrada por ele de respeitar o eleitor.
A festa da vitória aconteceu. E, segundo os jornais noticiaram na época, mais de 10 mil pessoas teriam ido ao Corvo Branco. Dessa noite remonta uma passagem clássica da história de Ideval Paccola que marcaria o perfil político. Antes e durante a grande festa, Ideval teria disto aos eleitores que iria se pronunciar, mas que não faria discursos. Isso porque o prefeito eleito dizia a todo mundo que ali não era lugar de política, mas sim, de festa. Nem teve tempo de se alongar em seu pronunciamento e, quando percebeu, Ideval já estava discursando. Parou e pediu desculpas, já que havia prometido que não ia discursar. O povo protestou e pediu que ele continuasse. “Isso não é política!”, gritavam.

O SAAE, o último cargo público 

A carreira política de Ideval Paccola terminou com o cargo de chefe do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), nos dois últimos anos do governo José Prado de Lima (PDT), o Pradinho. Ideval comandou a autarquia entre maio de 1999, substituindo Olívio Capelari, e saiu em dezembro de 2000, quando terminou o governo Pradinho. Dizem nos bastidores da política local que Pradinho teria convidado Ideval para somar ao time e agregar ao seu grupo político a cabeça do experiente ex-prefeito. A ação seria uma tentativa de Pradinho viabilizar seu nome para a disputa da reeleição, nas eleições de 2000. Mesmo com Ideval ao seu lado, o plano (se é que havia esse plano) não deu certo.
Independente dos rumores sobre os efeitos políticos da nomeação de Ideval para a diretoria do SAAE, o ex-prefeito não deixou por menos e fez valer seu cargo. Curiosamente ele foi o primeiro a ser acionado como chefe da Defesa Civil do Município, depois que enchentes em fevereiro de 2000 danificaram a estrutura da parte baixa do centro da cidade e invadiram casas no início da Vila Cruzeiro. Detalhe: foi Ideval que, enquanto prefeito, decretou que todos os que viessem a ser nomeados para a diretoria do SAAE acumularia também as funções da defesa civil. Lembram os mais antigos que em entrevista a imprensa Ideval explicou por que era o chefe da Defesa Civil. “Esse cargo sempre existiu na prefeitura, até que veio um prefeito na década de 80 e decretou que ele estaria sempre atrelado à diretoria do SAAE”, disse, sacando um decreto assinado por ele em 1988.
Mas a passagem de Ideval pelo SAAE vai ficar marcada por outra grande obra. Obra esta que ele não teve chance de ver terminada. Foi ele quem deu início ao projeto da construção da usina de tratamento de esgotos. Talvez o projeto posto em prática seja diferente daquele iniciado durante sua gestão, mas o princípio é o mesmo. Foi Ideval, inclusive, quem deu o pontapé inicial nas obras de construção de emissários para a captação de esgotos, já prevendo a futura existência de uma estação. Na sua gestão, a prefeitura construiu apenas algumas centenas de metros.

Morte de Ideval Paccola   

Na noite de quarta-feira, 12 de agosto de 2003, morreu na cidade de Jaú, onde estava internado havia alguns dias, o ex-prefeito Ideval Paccola, aos 68 anos de idade. Filho de Jácomo Augusto Paccola e Rosa Capoani Paccola, duas das mais tradicionais famílias lençoenses, Ideval nasceu em Bernardino de Campos-SP, em 26 de agosto de 1934. No início de  1944, com nove anos, mudou-se com a família para Lençóis Paulista. Casou-se com Maria Aparecida Brandi Paccola e teve três filhas: Valéria, Fabiana e Marcela.  Dotado de visão empreendedora, formou-se em contabilidade e passou a dedicar grande parte de seu tempo na fazenda da família no bairro Caju, onde eram produzidos, álcool combustível e aguardente. Mas para um homem do quilate de Ideval, era preciso fazer mais para o município. Foi aí que resolveu ingressar na política, elegendo-se vereador em 1963, na gestão do ex-prefeito Dr. Paulo Zillo. Não satisfeito, entendeu que deveria se doar mais para a cidade e se propôs a emprestar o seu nome para concorrer nas eleições para prefeito em 1972.
Não teve sucesso, pois forças ocultas impediram que ele fosse candidato. Obstinado que era, não desanimou e voltou a concorrer nas eleições de 1976, sendo o candidato mais votado. Contudo, não foi eleito pelo fato de sua legenda não somar os votos necessários para superar seu concorrente, que por coincidência ou ironia do destino era o seu primo Ezio Paccola, que acabou fazendo um excelente governo. Em 1982, finalmente Ideval vencia as eleições, derrotando o empresário e jornalista João Carlos Lorenzetti. No dia 1º de fevereiro de 1983 Ideval assumia os destinos de Lençóis Paulista. Seu governo foi considerado por muitos lençoenses, como o período das realizações. Implantou em 1988 o Centro Municipal de Formação Profissional “Ideval Paccola”, que mais tarde, na administração de Adimilson Vanderley Bernardes (1993/1996) passaria a fazer parceria com o SENAI. Dentre todas as suas realizações, que não foram poucas, Ideval sempre se referia com orgulho à escola de formação profissional.  A idéia comentava ele, era construir, na época, uma faculdade em Lençóis, mas por sugestão do escritor Pedro Bloc optou-se pelo Centro de Formação Profissional, uma vez que a região é bastante industrializada.
De fato, o governo de Ideval foi marcado por realizações. Para se ter uma idéia, ele assumiu a prefeitura em 1º de fevereiro de 1983, e para as festas em comemoração ao aniversário da cidade – 28 de abril – que há muitos anos coincide com a realização da FACILPA (Feira Agropecuária, Comercial e Industrial de Lençóis Paulista) ele pavimentou todas as ruas e adequou o recinto para a realização da Feira. Outras duas obras de grande importância para a cidade foram a construção das duas pontes na rua 28 de Abril – uma sobre o rio Lençóis e outra para transpor os trilhos da Fepasa.  As duas pontes vieram para solucionar o problema de trânsito, principalmente para aqueles motoristas que pretendiam acessar a zona norte da cidade (Núcleo, Rondon, Nações, Nova Lençóis e outros bairros). Antes da execução das obras, todos os veículos tinham que passar pelo centro da cidade – pela avenida Nove de Julho – para se dirigirem aos bairros acima mencionados. Foi no governo de Ideval que foram construídos os postos de Saúde do Núcleo Habitacional Luiz Zillo, Jardim Ubirama e Cecap. Descentrar o atendimento na área da saúde foi uma das metas do ex-prefeito que  fundou ainda os bairros Primavera e Maestro Júlio Ferrari e pavimentou toda a região central da cidade, além de muitos bairros da periferia.
Para se ter uma noção do quão importante foi o governo de Ideval Paccola, basta dizer que ele foi o único prefeito da história de Lençóis a trazer um presidente da república em pleno exercício, para a cidade. Na época, – março de 1986 – pelo fato de o escritor Orígenes Lessa  que era lençoense ser amigo do presidente José Sarney, uma comitiva de membros da Academia Brasileira de letras visitou Lençóis. Entre os imortais vieram Zélia Gatay, Pedro Bloc, etc. Como incentivador da cultura, e preocupado com a preservação da história da cidade, em 23 de abril de 1988, inaugurou o Museu Histórico e Cultural Alexandre Chitto, no prédio da antiga Destilaria Central, no início da Rua Cel. Joaquim Anselmo Martins – hoje o Museu está localizado na Av. 25 de janeiro. Ideval conseguia conciliar diversas atividades ao mesmo tempo. Três anos antes de se eleger prefeito, ou seja, em 1979, assumiu o comando do Jornal O ECO, fundado por Alexandre Chitto em 6 de fevereiro de 1939. Durante os últimos 25 anos o sexagenário jornal circulou sob os comandos do ex-prefeito, que na sua gestão, conseguia dividir seu tempo entre as tarefas da fazenda, prefeitura e o próprio jornal. “O desempenho de Ideval como prefeito vai ser lembrado por toda a eternidade” comentavam algumas pessoas que velavam seu corpo na Câmara Municipal. O sepultamento do ex-prefeito aconteceu às 16h de quarta-feira no mausoléu  da família, no cemitério municipal. O prefeito José António Marise em homenagem póstuma ao ex-prefeito, decretou luto oficial por três dias, e liberou todos os funcionários municipais – com exceção dos serviços essenciais – para acompanharem o enterro do ex-prefeito. (colaboração:  Cristiano Guirado , Railson Rodrigues  e Wanderley Luiz Placideli)